DSU/ALOP: O Seguro que Protege o Fluxo de Caixa dos Megaprojectos

Nos grandes projectos de energia e infra-estruturas, a gestão de riscos não termina na protecção dos activos físicos. Para financiadores e investidores, a verdadeira preocupação é garantir que o projecto continua financeiramente viável mesmo quando ocorrem atrasos inesperados. É neste contexto que surge uma das coberturas mais importantes do mercado segurador para projectos de grande escala: o seguro Delay in Start Up (DSU), também conhecido como Advance Loss of Profits (ALOP). O Problema que o DSU Resolve Durante a fase de construção de um projecto industrial ou energético, é comum existir uma apólice de construção, como o seguro CAR/EAR, que cobre danos físicos causados por acidentes. Essas apólices garantem a reconstrução de infra-estruturas e a substituição de equipamentos danificados. Contudo, existe um problema fundamental: enquanto o activo está a ser reparado, o projecto não gera receita. Para projectos financiados através de project finance, esta interrupção pode ter consequências financeiras graves. Durante o período de atraso, o projecto continua a enfrentar: É precisamente esta lacuna que o seguro DSU/ALOP procura preencher. Como Funciona o Seguro DSU/ALOP O seguro Delay in Start Up é uma extensão da apólice de construção que cobre as perdas financeiras resultantes de um atraso no início das operações, desde que esse atraso seja consequência directa de um dano material coberto. Em termos simples, o seguro transforma um evento físico num evento financeiro segurado. A cobertura pode incluir: Lucro bruto esperado Compensação pela receita que o projecto teria gerado caso tivesse iniciado as operações conforme planeado. Encargos financeiros Pagamento de juros e custos associados ao financiamento do projecto durante o período de atraso. Custos fixos permanentes Despesas que continuam a existir mesmo sem produção, como segurança, administração e manutenção. Custos extraordinários para aceleração Despesas adicionais destinadas a reduzir o período de atraso, como transporte urgente de equipamentos ou aceleração das obras. Uma Ferramenta Estratégica para Financiadores Para bancos, investidores institucionais e agências de crédito à exportação, a presença de cobertura DSU/ALOP é frequentemente uma condição essencial para financiar projectos de grande escala. Esta cobertura contribui para: Num ambiente de investimento intensivo em capital, estas garantias são fundamentais para manter a estabilidade financeira do projecto. O Papel do Seguro em Projectos de LNG Nos megaprojectos de gás natural liquefeito em desenvolvimento na Bacia do Rovuma, onde os investimentos atingem dezenas de milhares de milhões de dólares, atrasos podem gerar impactos financeiros extremamente elevados. Por essa razão, os programas de seguros associados a estes projectos são desenhados com elevado grau de sofisticação, integrando coberturas que vão muito além da simples protecção de activos físicos. O seguro DSU/ALOP tornou-se, assim, um elemento essencial na arquitectura de gestão de riscos destes investimentos. Contudo, nos megaprojectos energéticos, proteger infra-estruturas é apenas parte da equação. E o verdadeiro desafio é proteger a capacidade do projecto de gerar receitas e cumprir os seus compromissos financeiros. Enquanto o seguro de construção garante que o activo pode ser reconstruído, o DSU/ALOP assegura que o projecto não perde a sua viabilidade económica durante o período de recuperação, porque, no mundo do project finance, o activo mais valioso de um projecto não é apenas a infra-estrutura que se constrói. É o tempo que se leva a começar a produzir. Por Khaiman Naene

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1ª Edição do CEO’S MEETING – Huambo 2025

O Papel das Seguradoras na Economia Local No dia 4 de Fevereiro de 2025, a Revista Riscos e Seguros, através do seu Embaixador em Angola, Valdemar Sanalende, realizou, em parceria com o Restaurante Pentágono, na cidade do Huambo, a 1.ª Edição do CEO’S MEETING. O evento foi idealizado por Valdemar Sanalende com o propósito de reunir líderes empresariais, académicos, representantes da sociedade civil e profissionais do sector segurador e áreas afins, promovendo a partilha de conhecimento e incentivando a construção de uma sociedade mais informada e consciente sobre o papel estratégico dos seguros na economia. Tema da Edição “O Papel das Seguradoras na Economia Local – Huambo” A sessão contou com dois distintos oradores: O encontro teve início às 17h30, com duração prevista de uma hora, mas estendeu-se por aproximadamente 2h30, em virtude das diversas intervenções dos participantes, que enriqueceram significativamente o debate. Principais Pontos do Debate 1. O Surgimento dos Seguros Lucas Santos apresentou um enquadramento histórico sobre a origem dos seguros no mundo e em Angola, explicando de forma clara como, onde e por que razão surgiram. Destacou que os seguros nasceram da necessidade humana de partilhar riscos e garantir continuidade em momentos de adversidade. 2. Contributo do Sector Segurador para a Economia do Huambo À questão sobre como o sector segurador contribui para o crescimento e estabilidade económica local, André da Costa destacou que: “O seguro não se impõe, constrói-se.” Segundo o economista, o sector desenvolve-se através da confiança e proximidade. Quando essa relação é estabelecida, gera tranquilidade, protege patrimónios e assegura a continuidade das actividades económicas. Lucas Santos corroborou esta visão. 3. Risco Empresarial e Protecção Foi debatido o impacto da ausência de seguros nas empresas locais. Lucas Santos citou o exemplo de uma grande empresa do Huambo que, após um sinistro de Multirriscos em 2022, Conseguiu reeguer-se uma vez que o risco estava coberto. Sem seguro, o cenário poderia incluir: André da Costa reforçou que a protecção de riscos reduz falências e preserva a estabilidade económica. 4. Sectores Prioritários para Soluções de Seguro no Huambo Os oradores destacaram dois sectores prioritários: Seguro Agrícola Seguro de Transportes Públicos 5. Investimento, Crédito e Seguros Questionados sobre a relação entre seguros e acesso ao crédito, os oradores afirmaram: Conclusão: seguro activo aumenta confiança e facilita investimento. 6. Seguro e Empreendedorismo Os oradores defenderam que o seguro estimula o empreendedorismo, pois: Foram citados como essenciais para empreendedores: 7. Cultura e Futuro dos Seguros no Huambo Entre as propostas para fortalecer a cultura seguradora na província, destacaram-se: Sessão de Perguntas e Respostas Sete participantes intervieram com questões relevantes, entre as quais: O momento foi marcado por forte participação e interesse, demonstrando a necessidade de maior literacia seguradora. Conclusões do Encontro O CEO’S MEETING permitiu consolidar mensagens fundamentais para o desenvolvimento económico local: Compromisso de Continuidade Com elevado nível de participação e debate construtivo, foi oficialmente encerrada a 1.ª Edição do CEO’S MEETING, ficando assumido o compromisso de continuidade nas próximas edições.

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Quando O Risco Residual Enfrenta O Risco Estrutural

Cheias recorrentes, limites do seguro e a urgência da prevenção estrutural Moçambique enfrenta, ano após ano, o desafio das cheias recorrentes, que colocam em risco vidas humanas, património e os meios de subsistência de milhares de cidadãos. O ano de 2026 iniciou‑se sob um cenário de cheias muito intenso, com chuvas torrenciais a provocar inundações significativas em diversas regiões do país. No sul, as províncias de Gaza e Maputo registaram áreas extensamente inundadas e infra‑estruturas isoladas pelo excesso de água; no centro, províncias como Sofala e Manica sentiram impactos severos; e no norte, sectores de Zambézia foram igualmente afectados por águas altas e prejuízos em áreas agrícolas. Este padrão de cheias que abrange todo o território evidencia a dimensão nacional do fenómeno e reforça a necessidade de abordagens integradas de mitigação. Paralelamente, o mercado de seguros em Moçambique tem registado uma evolução gradual ao longo das últimas décadas. Entre 2016 e 2021, o volume de prémios emitidos praticamente duplicou, passando de cerca de 10,6 mil milhões de meticais para mais de 20 mil milhões de meticais. Em 2024, o sector gerou aproximadamente 22,5 mil milhões de meticais, evidenciando uma trajectória de crescimento contínuo, ainda que moderado. Actualmente, o mercado segurador nacional é composto por 23 seguradoras licenciadas e 2 operadores de microseguros, o que reflecte uma expansão institucional relevante e um esforço gradual de inclusão financeira. Apesar disso, a penetração do seguro no Produto Interno Bruto mantém-se em torno de 2%, um nível baixo quando comparado com outros mercados africanos e economias emergentes. Mais preocupante ainda é o facto de o seguro cobrir apenas cerca de 17% da população moçambicana, deixando a maioria dos cidadãos — sobretudo os mais vulneráveis e expostos a riscos climáticos — sem qualquer mecanismo formal de protecção financeira. Este contexto demonstra que o crescimento do sector, em termos de volume e número de operadores, ainda não se traduz num impacto social amplo. É neste cenário que o risco residual — aquele que permanece mesmo após a transferência do risco para o seguro — se confronta directamente com o risco estrutural, caracterizado pela insuficiência de infraestruturas de drenagem, pelo ordenamento territorial inadequado e pela limitada capacidade de prevenção de cheias. Tal confronto levanta uma questão central: até que ponto o seguro pode ser eficaz quando as causas estruturais do risco permanecem inalteradas? 1. Limites do seguro diante de riscos estruturais O seguro desempenha um papel crucial na protecção financeira contra perdas inesperadas. Contudo, a sua actuação incide sobre o risco residual, pressupondo a existência de medidas mínimas de prevenção. Em contextos de cheias recorrentes, esse pressuposto nem sempre se verifica. Mesmo com um mercado que gera mais de22 mil milhões de meticais em prémios por ano, a repetição de sinistros sobre os mesmos bens e nas mesmas localizações evidencia que o seguro, isoladamente, não elimina nem reduz a frequência do risco estrutural. 2. Impactos sociais e económicos do risco estrutural A persistência do risco estrutural produz efeitos profundos e transversais: Estes dados mostram que mesmo entre quem tem seguro, eventuais indemnizações não compensam plenamente os efeitos sociais e econômicos das cheias, reforçando a necessidade de politicas integradas que considerem prevenção e resiliência econômica e social. 3. O desafio estratégico para o mercado de seguros Neste contexto, impõe-se um verdadeiro trabalho de casa (TPC) para o sector segurador moçambicano, que pode — e deve — ser colocado na mesa do Governo como contributo estratégico para um crescimento e desenvolvimento mais equilibrado e sustentável. Para que o seguro deixe de ser apenas um mecanismo de indemnização repetitiva e passe a actuar como instrumento de resiliência, torna-se necessário: Coloca-se aqui uma questão central: como desenhar um produto de seguro resiliente para populações que, ciclicamente, são obrigadas a abandonar as suas residências devido a cheias recorrentes? Sem soluções estruturais, qualquer produto tenderá a tornar-se financeiramente inviável ou socialmente ineficaz. 4. Mitigação do risco estrutural: seguro e prevenção como complementos A prevenção é tão essencial quanto o seguro. Algumas linhas de acções prioritárias incluem: O objectivo é uma abordagem integrada, em que o seguro actua como complemento da prevenção estrutural, e não como substituto desta. A recorrência das cheias em Moçambique demonstra que o seguro não é sinónimo de prevenção. Apesar do crescimento do mercado — com mais de 22 mil milhões de meticais em prémios anuais, 23 seguradoras licenciadas, 2 operadores de micro-seguros e uma penetração em torno de 2% do PIB — a cobertura social permanece limitada, alcançando apenas 17% da população. O confronto entre risco residual e risco estrutural cria um ciclo de perdas que compromete o desenvolvimento económico, a inclusão social e a sustentabilidade do próprio sector segurador. Para que o seguro desempenhe plenamente o seu papel, é indispensável investir em infra-estruturas de drenagem, planeamento urbano e políticas públicas de mitigação de riscos. Só com esta combinação será possível transformar indemnizações em verdadeira resiliência e impedir que as cheias continuem a destruir, ano após ano, aquilo que foi arduamente construído. Equipa EditorialRevista Riscos & Seguros

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Desastres Naturais em África: Apenas 20% dos Danos Estavam Segurados em 2025, com Moçambique sem Cobertura

Em 2025, os desastres naturais causaram estragos significativos em África, com danos estimados em 191,7 bilhões de Meticais. No entanto, apenas 20% desses danos estavam segurados, deixando a maioria das perdas a cargo das comunidades afetadas. Moçambique foi um dos países mais afetados, com praticamente nenhuma perda coberta por seguros. A falta de cobertura de seguros é um desafio significativo para o país, que enfrenta regularmente inundações, ciclones e outros desastres naturais. A resseguradora alemã Munich Re alerta para o crescente impacto dos desastres naturais em África e destaca a importância de aumentar a cobertura de seguros para mitigar os impactos econômicos e humanos dessas catástrofes. O relatório aponta ainda que os desastres naturais causaram danos de aproximadamente 14,3 trilhões de Meticais (224 mil milhões de dólares) em todo o mundo em 2025, menos 39% do que no ano anterior. Em África, os danos foram de aproximadamente 191,7 bilhões de Meticais (3 mil milhões de dólares). Mais de metade dos danos em África foram devido a três ciclones, incluindo dois que afetaram Madagáscar e Moçambique em janeiro e março de 2025. A ilha francesa da Reunião foi também afetada por um ciclone em fevereiro, com quase metade das perdas de 57,5 bilhões de Meticais (900 milhões de dólares) cobertas por seguros. Em contraste, Moçambique não tinha praticamente nenhuma perda coberta por seguros. Os autores do relatório alertam para o crescente impacto de inundações, tempestades severas e incêndios florestais nas perdas e danos, salientam que os cientistas concordam que tais desastres naturais estão a tornar-se mais graves e mais frequentes em muitas partes do mundo. A Munich Re destaca a importância de aumentar a cobertura de seguros para desastres naturais em África e em todo o mundo, para mitigar os impactos econômicos e humanos dessas catástrofes. Redactora Rutília Chilengue Fonte- ecoseguros

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Open Insurance tornará mais competitivas as ofertas de Seguros

Com toda certeza, se perguntasse a qualquer pessoa há meio século atrás o que ela esperaria do futuro, certamente esta não seria capaz de imaginar que actualmente estamos todos conectados através de uma rede virtual, enviando e recebendo informações em milésimos de segundos. Isso é devido ao fato de que as novas tecnologias surgiram e reinventaram o nosso modo de interagir e viver o mundo a todo instante. A tecnologia veio para ficar no sistema financeiro, e neste campo o “Open Insurance” surge como denominador de um ecossistema que permite aos consumidores a partilha de informações e dados a respeito de produtos e serviços de seguros e previdência, entre diferentes empresas autorizadas e credenciadas pelo Supervisor e Regulador de um determinado mercado, no caso particular de Angola a ARSEG (Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros. Esta proposta do “Open Insurance” é permitir aos consumidores a partilha de dados entre empresas, e também, facilitar o processo de tomada de decisão no que concerne a produtos e serviços das seguradoras de forma justa.  Do ponto de vista dos Seguradores, o objectivo é tornar mais competitivas as ofertas e também incentivar a inovação com a incorporação de novas tecnologias para facilitar e beneficiar os consumidores de seguros. Este ecossistema de informações partilhadas tem como base dois tipos de dados, pessoais e públicos. Os dados pessoais são compostos pelas informações de registo dos consumidores, tais como; dados de apólices; contratos; títulos de capitalização, histórico de utilização, as transições dos clientes entre as seguradoras e outros. O esperado é que o “Open Insurance” aumente a competitividade no mercado de seguros, impulsionando empresas estabelecidas, bem como a novas que possam vir a entrar no mercado, a estas desenvolverem novos produtos para clientes. Com o “Open Insurance”, o mercado passa a ser guiado pela demanda, pelo desejo do consumidor, e não pela oferta, pela imposição das empresas. Informação só representa custos menores para consumidores se essa informação permitir a competição, pois num mercado dominado por poucas empresas a informação até pode ser usada para uma oferta de produtos melhores, mas também mais caros. Seguindo no mesmo pressupostos do “Open Banking”, o “Open Insurance” trata-se de um sistema que reúne diversas instituições do mercado de seguros num ambiente padronizado de serviços e dados. Sendo assim, as empresas participantes poderão criar os seus produtos e aplicativos e disponibiliza-los aos usuários, que terão uma melhor experiência e facilidade de acesso aos benefícios das ofertas. O conceito de “Open Insurance” tem como base 3 princípios Inovação Aberta Disponibilização de dados e serviços de forma padronizada e integrada, permitindo a criação e o desenvolvimento de novas soluções para todas as instituições de seguros e previdência envolvidas. Experiência Digital Utilização de novas tecnologias  de transformação digital no mercado segurador, como o Big Data e Inteligência Artificial, trazendo uma melhor experiência digital para usuários e facilitando os processos dos corretores de seguros. Sendo assim, proporcionando uma maior agilidade no uso de serviços e dados e na oferta de produtos customizados para atender as principais necessidades dos clientes. Novos Modelos de Negócio Com a Inovação Aberta e as Experiências Digitais, cada vez mais, novos modelos de negócio surgirão e criarão benefícios ao mercado segurador em causa. Dessa forma, podemos resumir que o “Open Insurance”, na prática, tende a ser um sistema que viabiliza que as instituições do sector de seguros possam trabalhar em conjunto, oferecendo melhores produtos e novas experiências aos seus clientes, a partir da inovação em aplicações, serviços e modelos de negócio. Em poucas palavras, o “Open Insurance” promete uma maior democratização do acesso a produtos de seguros e previdência. E esse sistema despoletará um grande impacto no mercado, já que promove a transformação da concorrência num sector tão tradicional e conservador como o de seguros. A ARSEG (Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros) tem neste domínio um grande desafio pela frente, que será a regulamentação do “Open Insurance” em Angola José Araújo

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Reserva de Valores verso Fundos de Pensões

Para os entendidos na matéria, diversificar formas de investimentos sem grandesesforços para o aumento de capital torna-se cada vez mais atrativo. Enquanto uns optam por escolher a Reserva de Valores como uma forma de investimento, outros preferem investir em Fundos de Pensões, com a finalidade de acumular capital  indispensável para a reforma. O que se entende por Reserva de Valores? A Reserva de Valores serve como proteção contra as variações do mercado, e consequentemente, é composta por ativos que preservam o poder de compra a longo prazo.Ao se constituir uma reserva de valor, garante-se a manutenção do valor do património independentemente do cenário económico. Inclusivé muitos investidores corporativos  usam este tipo de reserva para preservar o seu património perante crises económicas e políticas. Para ter uma boa Reserva de Valor os ativos e bens devem ter quatro características principais: E a que se refere Fundos de Pensões? São uma forma de poupança a longo prazo que visa garantir um rendimentocomplementar na reforma, para além da pensão da Segurança Social. São constituídos por contribuições regulares, geralmente mensais e efetuadas pela empresa ou individualmente, que são investidas de forma diversificada em vários tipos de ativos financeiros (ações, obrigações, imóveis, etc.) com o objetivo de obter um retorno ao longo do tempo. Os Fundos de Pensões são importantes pela sua capacidade de proporcionar uma fonte adicional de rendimento na reforma, o que é especialmente relevante num contexto em que a sustentabilidade dos sistemas públicos de pensões é uma preocupação crescente e quase inexistente em países como os Palop. Além disso, os Fundos de Pensões oferecem a possibilidade de beneficiar de vantagens fiscais, uma vez que as contribuições são geralmente dedutíveis no Impostos sobre Rendimentos Singulares (IRS). Os Fundos de Pensões desempenham um papel crucial tanto para a economia do Estado como para o indivíduo: Em relação aos Planos de Poupança reforma (PPR), os Fundos de Pensões apresentam algumas diferenças. Enquanto PPR são produtos individuais, os Fundos de Pensões são geralmente colectivos, isto é, são contratados por empresas para os seus trabalhadores. Além disso, os PPR tem limites anuais de contribuição para beneficiar das vantagens fiscais, e nos Fundos de Pensões os limites são mais elevados.Embora a Reserva de Valores e Fundos de Pensões se diferenciem na sua aplicabilidade, ambos são uma forma de acumular capitais. Célia Fanilda Manguele Subscritora de Seguros

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Seguro de Vida, a sua importância socioeconómica

O sector segurador é parte integrante do sistema financeiro de qualquer país e desempenha um papel fundamental na economia. Como estabilizador das economias, reparando os danos causados por sinistros cujos bens e pessoas estejam cobertos por apólices de seguros e, também, como um grande e sólido financiador das economias. Em Angola, o consumo de seguros, desde 2008 tem vindo a crescer e a tentar aproximar-se dos padrões Africanos de consumo medidos pelos índices de densidade e de penetração, cuja tendência foi interrompida em 2014 com o agravamento económico originado pela crise petrolífera, a subida vertiginosa da inflação, e a desvalorização abrupta do Kwanza fez com que os clientes que efetuavam seguros das suas poupanças, passassem a optar por depósitos nos bancos, a fim de obterem total liquidez. O ramo de Vida em Angola tem ainda um grande potencial de crescimento que deve ser aproveitado pelas seguradoras, inovando nos produtos, adaptando-os às necessidades dos consumidores, divulgando e explicando as vantagens destes em relação a outros como naturais instrumentos de poupança. Os seguros de vida nos países mais avançados em África são uma das alavancas basilares do desenvolvimento económico e social, já que estes desempenham um papel fundamental da forma como contribuem para a formação do hábito sistemático de poupança, e a maneira como garantem as consequências económicas do risco de uma pessoa falecer. Por outro lado, a sua contribuição na formação de poupança dos cidadãos de maneira a garantir necessidades futuras numa esperança de vida mais longa e consequentemente contribuir para um desenvolvimento económico sustentável dos países, através do investimento a longo prazo das provisões técnicas das seguradoras. Em termos gerais, um Seguro de Vida consiste num seguro de pessoas, em que é contratado o pagamento, por parte da seguradora, de uma quantia previamente estipulada em caso de morte ou vida da pessoa segura, num determinado momento. Estes, por um lado, podem classificar-se em Seguros de Vida Tradicionais, Financeiros, de Rendas Imediatas e ainda Planos de Poupança Reforma. De entre os primeiros, consideramos os de Risco, Misto e Capitais Diferidos. No que diz respeito aos Seguros Financeiros, estes englobam os Seguros de Capitalização. Deste modo, torna-se já notável pela sua própria definição, que existem vários tipos de Seguros de Vida: A procura de seguros por parte das empresas e famílias depende do nível de rendimento e da cultura existente sobre o seguro. Dado que todos nós fazemos, a todo o momento, uma hierarquização das nossas necessidades, mesmo que inconscientemente, logo que satisfeitas as necessidades mínimas começamos a pensar no futuro e em assegurar esse bem-estar. Apesar da cultura Africana de ” Viver o presente e amanhã logo se verá”, é notável uma relação direta entre a procura de seguros e o nível de desenvolvimento/crescimento económico do país. Por um lado, níveis de crescimento económico mais elevados geram maior riqueza e, uma vez que a aversão ao risco é uma constante, é possível fazer-se a aplicação de uma parte do fluxo de rendimento na redução do risco e daí uma maior procura de seguros. Por outro lado, um maior rendimento poderá também gerar um maior índice de poupança, fundamental para sustentar o crescimento económico e que também poderá refletir-se num aumento do Ramo Vida, particularmente nos seguros Financeiros e Planos de Poupança Reforma. Esta relação direta veio fazer-se sentir com enorme relevo devido à consciencialização perante a crise petrolífera e ao facto de as taxas de juro terem vindo, constantemente, a baixar e, portanto, ao aumento da procura de produtos substitutos que garantam um maior rendimento. O próprio desenvolvimento institucional pode originar uma maior procura de produtos, como por exemplo a obrigatoriedade do Seguro Automóvel, o Seguro de Acidentes de Trabalho e Incêndio e Vida risco associados a empréstimos bancários destinados a aquisição de habitação própria. A indústria seguradora está enquadrada no sistema financeiro e que, pelas suas características, contribui para a poupança e cobertura de riscos no País. Desta forma, revela uma enorme importância tanto do ponto de vista económico como social. Os seguros são instrumentos que promovem a estabilidade financeira e a segurança de todo o género de operações reais e, em geral, através dos seguros de vida e dos investimentos das companhias com um carácter de médio e longo prazo, potenciam as relações económicas e mobilizam a poupança do país encaminhando-a para os mercados financeiros.

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